segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

HIDROVIA

Hidrovia no  Rio Cachoeira


          A história da navegação comercial entre Joinville e São Francisco do Sul é rica, pois tem haver com os primeiros tempos da economia local muito vinculada aos suprimentos da colônia e na exploração da erva mate e madeira vinda do planalto. Declinou por conta de outras formas de transporte (rodoviário e ferroviário) que ganharam grande impulso no pós-guerra, período em que a manutenção do canal do Cachoeira e Lagoa do Saguaçu deixou de ser feita.



              Na década de 30 a lagoa dispunha de um canal cuja profundidade chegava a 6,5 metros na preamar. Hoje o canal do Cachoeira e da lagoa tem pouco mais de 2 metros de profundidade, situação que serve unicamente à navegação para embarcações de pequeno calado e porte, voltados ao lazer e à pesca artesanal, para aqueles que ainda ousam pescar por ali. O barco Príncipe, para efeito de justiça, foi o responsável pelo retorno da navegação comercial sob a forma de turismo à Lagoa do Saguaçu.

             Deste ponto chego ao conceito de hidrovia. Extraído dos dicionários ou do site: www.brasilescola.com/geografia/hidrovias.htm, “hidrovia é uma rota pre-determinada para o tráfego aquático" em qualquer tipo de corpo hídrico (rio, lagoa, baía ou mesmo o mar). O corpo hídrico serve de “estrada” para o tráfego regular de pessoas ou cargas. Um “canal de navegação” é tecnicamente conhecido como um "caminho" na água, que se encontra balizado levando segurança à quem nele navegue. Na Europa, onde o transporte hidroviário tem vital importância econômica, uma hidrovia ou canal de navegação será homologada sob condições rígidas (calados superiores a 3,5 metros e larguras mínimas de 20 metros) e, mais recentemente, com sistema de gerenciamento da qualidade das águas, da navegação e da manutenção permanente. Em nosso estado, o rio Itajaí Açu, em seus 15,7 km que separam sua foz da ponte na BR 101, tem intenso tráfego comercial, constituindo-se como uma importante hidrovia, por onde  navegam diariamente centenas de embarcações, utilizando o rio como a “estrada” para atividades cujo transporte se dá com grandes navios, barcos de pesca, de suprimentos, de lazer, estaleiros, transporte de passageiros (balsas), fiscalização da Marinha e Policia Federal dentre outras modalidades, todas com um amplo significado econômico, desde a colonização do vale do Itajaí. Estas explicações não diminuem a importância do que foi convencionado chamar em Joinville como a “primeira hidrovia oficial de Santa Catarina”, ação de governo que foi repetidamente inaugurada com objetivo de oferecer uma modalidade de transporte entre dois municípios.

            O esforço obstinado empreendido pelo Governor do Estado para implantar esta opção de transporte e lazer assemelha-se a saga de nosos imigrantes que, sem os recursos ideiais para a navegação, singraram as águas deste rio quando ainda eram límpidas e piscosas. O Rio Cachoeira foi a nossa principal “estrada” do progresso e ainda pode nos ser muito útil se também formos obstinados na recuperação e desassoremanto das suas águas. Este é o desafio imposto e pelo qual realmente poderemos nos orgulhar. Rendo então uma homenagem especial ao Comandante Celso Brites, que sem pompa nem circunstância, manteve acesa a navegação entre Joinville e São Francisco do Sul nos últimos 20 anos, desafiando as poluídas e assoreadas águas da Lagoa do  Saguaçu, oferecendo aos  joinvillenses  e turistas a oportunidade e encanto de ver, na plenitude, as belezas da Baía da  Babitonga. Inspirados ou não pelo ufanismo, vamos  fazer o trabalho de casa recompensando este rio com a sua antiga  vitalidade, que foi sacrificada em prol de uma cidade. - “As coisas que queremos e parecem impossíveis só podem ser conseguidas com uma teimosia pacífica”.  (Mahatma   Ghandi)

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